Entrevistas

Desafios econômicos do governo Dilma: políticas macroeconômicas não são estratégia de desenvolvimento

“Acho que o grande norte para o segundo mandato é a renovação e o aprofundamento do caráter social da estratégia de desenvolvimento esboçada nos últimos anos, indo além do aumento do poder de compra individual”, aposta o economista.

É “inadequado apontar continuidades” na política econômica adotada do governo Dilma em comparação com as medidas seguidas no governo Fernando Henrique Cardoso, especialmente quando se trata de um “plano mais estrutural”, diz André M. Biancarelli à IHU On-Line.

A criticada “herança do governo FHC”, apontada por diversos economistas ao longo dos últimos 12 anos, é entendida por Biancarelli como “similaridades”, as quais “dizem respeito muito mais às estratégias macroeconômicas de curto prazo, ao manejo conjuntural das políticas monetária, fiscal e cambial, do que à estratégia de desenvolvimento”.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Biancarelli pontua que para o segundo mandato da presidente é “óbvio que algum ajuste de curto prazo se faz necessário, mas o desafio é não comprometer a estratégia de longo prazo que vem sendo implementada – que, repita-se, conjuga ganhos sociais com oportunidades econômicas”. Para ele, também é “óbvio” que a crise internacional de 2008 ainda exercerá impacto sobre a economia brasileira.

“Só um discurso eleitoral bastante limitado para negar a importância dos constrangimentos externos atualmente vividos pela economia brasileira. O desenrolar da crise, tantas vezes nos últimos anos dada como encerrada por afoitos observadores da economia global, segue sendo decisivo para as possibilidades do Brasil”.

Ao especular sobre os possíveis nomes para assumir o Ministério da Fazenda, Biancarelli é categórico: “Independente dos atributos pessoais e das opiniões dos personagens aventados nesta temporada de especulações, eu considero que seria simbolicamente muito ruim o segundo governo Dilma iniciar-se com um Ministro da Fazenda oriundo do sistema financeiro”. E acrescenta: “Espero que as ações do governo não se restrinjam às políticas macroeconômicas (monetária, fiscal e cambial), pois elas, sozinhas, não configuram uma estratégia de desenvolvimento”.

André M. Biancarelli é graduado, mestre e doutor em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, onde leciona e é diretor do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica – Cecon.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como o senhor avalia o resultado das eleições presidenciais? Do ponto de vista econômico, qual é o significado da reeleição da presidente Dilma?

André M. Biancarelli – As eleições foram muito disputadas desde o princípio até os últimos minutos da apuração. Uma série de reviravoltas ocorreu e, pelo menos desde junho de 2013, deixaram o cenário em aberto. Aliás, do ponto de vista econômico, a incerteza sobre o cenário eleitoral com os efeitos das manifestações de rua naquele momento contribuiu decisivamente, na minha opinião, para a postergação de alguns investimentos e a piora na conjuntura.

Mas, pensando no desfecho do pleito, não se deve exagerar o significado do resultado afinal muito apertado: os movimentos da última semana do segundo turno apontavam para uma diferença muito maior, que deve ter sido estreitada nas últimas horas pelos efeitos da inacreditável capa da revista Veja e sua repercussão por outros órgãos de imprensa. Mesmo não tendo atingido seu objetivo, esta manobra e seus resultados não podem ser esquecidos.

Do ponto de vista econômico, prefiro ficar com um significado mais permanente da reeleição: uma estratégia que enfrenta dificuldades conjunturais, mas que segue popular pela capacidade de incorporar à cidadania e ao mercado de consumo contingentes antes excluídos. E a rejeição à estratégia liberal representada pelo principal partido de oposição.

IHU On-Line – Ao longo dos últimos anos, muitos economistas reiteraram a semelhança e inclusive a continuidade das políticas econômicas adotadas nos governos do PT com a dos governos FHC. Contudo, durante o período eleitoral, economistas que se identificam com os partidos apontaram diferenças entre elas, e outros afirmaram que não há diferenças, ressaltando, porém, que com a vitória do PSDB a política econômica seria um desastre por conta dos seus impactos sociais. Como o senhor avaliou as discussões a esse respeito durante o período eleitoral? É possível apontar aspectos que diferenciam as políticas de ambos os partidos? Quais são eles?

André M. Biancarelli – Há diferenças sim, até porque se não houvesse não teríamos assistido a um inédito consenso contrário, entre os economistas do chamado “mercado”, em relação à candidatura Dilma. As similaridades – que novamente se insinuam nesta semana pós-eleição, com tais setores derrotados pretendendo pautar as prioridades econômicas do novo governo – dizem respeito muito mais aos instrumentos macroeconômicos de curto prazo, ao manejo conjuntural das políticas monetária, fiscal e cambial, do que à estratégia de desenvolvimento. Neste plano mais estrutural, considero inadequado apontar continuidades. O que de fato há, desde o primeiro governo Lula, é um lento processo de reconstrução das formas de intervenção estatal na economia, com a inclusão social como objetivo estratégico. Isto é frontalmente contrário ao que predominava no Brasil até 2002, e esta era a disputa mais importante na eleição.

O fato de este projeto – com o nome que a ele se queira dar – ainda estar longe de plenamente consolidado, e ser objeto de várias insuficiências, não deveria ser motivo para confundi-lo ou diminuir sua importância.

IHU On-Line – A inflação foi um ponto bastante criticado durante a campanha eleitoral. A atual taxa de inflação é preocupante? Sim ou não e por quê? E ainda, como a atual taxa de inflação impacta na vida da população em geral, que recebe até três salários mínimos?

André M. Biancarelli – É evidente que a inflação é um problema sério, que afeta mais os mais pobres do que os que têm maior capacidade de defender sua renda e riqueza. E o patamar atual, próximo ao teto de 6,5% ao ano, é obviamente desconfortável. Deve-se, portanto, providenciar sua redução. Mas com a ressalva de que trata-se de um processo complexo, com várias causas e que está longe de qualquer situação de descontrole.

IHU On-Line – Alguns especialistas dizem que a política econômica não é decisiva num país, e que o que de fato importa são os investimentos e as políticas sociais. Como avalia esse tipo de discurso e qual é o peso da economia para que seja possível fazer investimentos sociais? É possível avaliar economia e desenvolvimento social como antagônicos?

André M. Biancarelli – A política econômica é sim muito decisiva e, na visão com a qual eu compartilho, objetivos econômicos e sociais não são antagônicos, muito pelo contrário. A principal lição do período Lula-Dilma, que precisa agora ser reforçada e renovada, é a de que as melhoras sociais são poderoso mecanismo de investimentos e crescimento econômico. Se a via da melhora nas condições de renda-consumo, que tantas mudanças positivas causou na economia brasileira ao longo dos últimos anos, parece de fato ter efeitos dinâmicos decrescentes, é hora de explorar mais outras frentes de melhora social. Entre elas, destacam-se os investimentos nos bens de consumo coletivo, ou direitos sociais, como educação, saúde, saneamento, mobilidade urbana.

IHU On-Line – Que avaliação faz da política econômica adotada pela equipe econômica de Dilma em seu atual governo? Que mudanças serão necessárias na política econômica brasileira daqui para frente e por quais razões? Quais devem ser os principais desafios econômicos da presidente Dilma nos próximos quatro anos?

André M. Biancarelli – Acho que, em relação ao governo Lula, as principais mudanças foram a aposta na redução das taxas de juros, na desoneração e outros incentivos tributários para setores industriais, e no programa de concessões na área de infraestrutura. Enquanto o último teve problemas e atrasou para deslanchar, os dois primeiros revelaram uma crença talvez exagerada nas condições de oferta para incentivar o gasto do setor privado. E descuidaram do setor público enquanto agente importante da demanda agregada na economia.

Para o segundo mandato, parece óbvio que algum ajuste de curto prazo se faz necessário, mas o desafio é não comprometer a estratégia de longo prazo que vem sendo implementada – que, repita-se, conjuga ganhos sociais com oportunidades econômicas. Em outras palavras, uma eventual contração fiscal e monetária no início do governo deve evitar ao máximo comprometer as possibilidades de crescimento de um economia que, apesar dos bons indicadores do mercado de trabalho, já se encontra em um baixo nível de atividade.

IHU On-Line – A crise econômica de 2008 ainda exerce e exercerá influência na política econômica brasileira daqui para frente?

André M. Biancarelli – Isso é óbvio, e só um discurso eleitoral bastante limitado para negar a importância dos constrangimentos externos atualmente vividos pela economia brasileira. O desenrolar da crise, tantas vezes nos últimos anos dada como encerrada por afoitos observadores da economia global, segue sendo decisivo para as possibilidades do Brasil. Menos mal que ainda temos o mercado doméstico como arma estratégica, e oxalá sigamos preservando-o.

IHU On-Line – Como avalia os possíveis nomes indicados para ocupar o Ministério da Fazenda, entre eles o do banqueiro Luiz Carlos Trabuco, presidente executivo do Bradesco, e Aloizio Mercadante, atual Ministro da Casa Civil? Que contribuições ambos teriam a dar na condução da política econômica?

André M. Biancarelli – Independente dos atributos pessoais e das opiniões dos personagens aventados nesta temporada de especulações, eu considero que seria simbolicamente negativo o segundo governo Dilma iniciar-se com um Ministro da Fazenda representando o sistema financeiro. O “cerco” à política econômica e, mais do que isso, ao governo Dilma como um todo, por parte deste setor nos últimos anos foi tão intenso, e sua atuação na campanha – diretamente e por meio de seus representantes nos meios de comunicação – foram tão agressivos que esta opção poderia soar como desprezo aos movimentos que acabaram sendo decisivos no segundo turno. As duras e importantes críticas ao programa de Marina Silva, e ao precocemente nomeado ministro da candidatura de oposição, pareceriam mero discurso de campanha.

É preciso sim refazer os canais de diálogo com o setor privado e mesmo com o mercado financeiro. E algum controle fiscal ou aperto nas condições monetárias também me parecem inevitáveis. Mas ajustes, diálogo e conciliação não deveriam ser, me parece, sinônimos de entrega dos cargos ou dos rumos da política econômica. Mesmo porque o Brasil não se encontra em condições sequer parecidas com as recebidas em janeiro de 2003.

IHU On-Line – Pode explicar as diferenças entre as posições dos sociais-desenvolvimentistas e dos novos-desenvolvimentistas? Qual das duas correntes compõe a política econômica da presidente Dilma?

André M. Biancarelli – Nenhum governo é composto (ou pelo menos não deveria, na minha opinião) de uma única corrente de pensamento ou “escola”. É difícil definir o governo Dilma, mas eu espero que no segundo mandato continue sendo importante a crença de que as forças de mercado, agindo por seus próprios interesses, não conduzem ao melhor resultado para a economia, o país e a maior parte de sua população. Mais do que isso, espero que as ações do governo não se restrinjam às políticas macroeconômicas (monetária, fiscal e cambial) pois elas, sozinhas, não configuram uma estratégia de desenvolvimento.

Repetindo, apesar das dificuldades conjunturais, acho que o grande norte para o segundo mandato é a renovação e o aprofundamento do caráter social da estratégia de desenvolvimento esboçada nos últimos anos, indo além do aumento do poder de compra individual. É hora de explorar mais outras frentes de melhora social, e isso demandará investimentos públicos e capacidade de mobilização do setor privado.

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Um pensamento sobre “Desafios econômicos do governo Dilma: políticas macroeconômicas não são estratégia de desenvolvimento

  1. Aumentar juros, reduzir salários, aumentar impostos sobre a produção e consumo de bens, etc, numa economia como a nossa, que não consome nem 1/5 da europeia e americana, chega a ser uma aberração!

    Em toda essa complexidade global, o que não podemos perder de vista, é que vivemos uma crise mundial por falta de recursos materiais, de insumos, de matérias primas. Os países em desenvolvimento, especialmente os BRICS, estão consumindo muito mais, e falta produtos no mercado mundial, para mandar para a Europa e EUA. Ou seja, agora eles só têm três opções:

    1) Reduzir a renda para adequar seu consumo à nova realidade, que é o que tem sido feito.

    2) Manter a renda no mesmo patamar, e enfrentar uma hiperinflação.

    3) Investir em propaganda nas suas COLÔNIAS, e em tecnocratas e políticos corruptos ou incompetentes. A mídia paga prepara o caminho, os tecnocratas apresentam o engodo, e os políticos aplicam medidas para reduzir o consumo, numa sociedade que já consome absurdamente menos que a europeia e americana; e será estuda daqui a 100 anos, como uma colônia da idade contemporânea. Tudo respaldado e documentado por brilhantes, elegantes, e especialistíssimos doutores das bandas de Havard. Imaginem agora quem poderia contestá-los…

    O Brasil não está em crise, sofre apenas pelas mesmas dificuldades de sempre, que são completamente diferentes da americana e europeia. O país está com falta de consumo, o contrário deles! Nosso trabalhador está ganhando muito pouco, insuficiente para manter a economia do país funcionando de forma satisfatória. É bem verdade, que nos últimos anos a renda foi elevada, mas ainda está muito baixa. O povo comprou automóveis, casas, e apartamentos, e está endividado. Ou seja, devido à precariedade de sua renda, extremamente inferior à americana e europeia, não conseguimos mais consumir, e movimentar a economia, como deveria.

    O governo tem um papel fundamental, e basicamente duas opções:

    1) Pode reduzir ainda mais nossa renda e consumo interno, ajudando aos governos europeus e americanos acalmarem sua população, que se encontra inquieta, vendo a renda diminuir. Pois com os brasileiros consumindo menos, sobram mercadorias no Brasil, para serem mandadas pra lá a preço de banana. Aliás, é algo interessante essa transação!

    PRESTEM MUITA ATENÇÃO:

    Mandamos nossas melhores riquezas para o exterior, e ficamos em troca com um punhado de papel, que eles chamam de dólar. Num país que tem reservas em dólar, pra pagar todas as dívidas contraídas nessa moeda, isso chega a ser um crime contra a economia popular. Aliás, países como os EUA, que tem praticamente tudo o que precisam dentro do país, exportam menos de 5% de sua produção, normalmente coisas obsoletas, que já não vendem mais lá dentro. Por que será que os EUA fazem isso? Por que será que na Rússia, multinacional é proibida de exportar?

    2) A outra opção é elevar nossa renda e consumo interno, para que aos poucos, o poder aquisitivo brasileiro se equilibre com os a Europa e EUA!

    AH, MAS AÍ TEM INFLAÇÃO!

    Depende do que for feito. A maior parte do capital industrial do Brasil é multinacional, eles estão muito preocupados com o descontentamento do povo em seus países, e coniventes com seus governos em utilizar suas colônias, como o Brasil, para garantir a prosperidade pátria. Qualquer empresa deve ser muito bem vinda ao Brasil, mas desde que não queira nos usar como colônia. Ou seja, aproveitar-se da miséria do povo, pra ter como desviar nossas riquezas ao exterior.

    Isso é feito reduzindo a renda dentro do país, e se o governo não promove essa política da miséria, eles mesmos podem dar um jeito, simplesmente elevando seus preços, sem ter necessidade alguma. Por isso querem arrocho salarial, aumento de juros, e de impostos sobre o consumo e a produção; para poder reduzir o mercado interno e exportar mais. Esse é o preço de não termos investido em educação durante a ditadura. Hoje sofremos pressões violentas, para reduzir nosso consumo, por conta de empresas estrangeiras exportadoras, que preferem vender no exterior e receber em dólar. De qualquer forma, é preciso desmistificar esse trambique, e deixar muito claro que:

    NÃO EXISTE PRESSÃO INFLACIONÁRIA NO BRASIL POR EXCESSO DE CONSUMO

    SE HOUVER INFLAÇÃO, ELA DEVE ESTAR LIGADA A VERDADEIRAS SABOTAGENS

    Como esse negócio de tabelar, congelar, proibir, etc, é algo meio radical, que pelas características do Brasil dificilmente tem bons resultados, a solução da Rússia de proibir exportações de multinacionais talvez não seja a melhor saída. O ideal poderia ser instituir o

    IMPOSTO SOBRE EXPORTAÇÃO DE MULTINACIONAIS

    Porque devemos levar em conta, que o Brasil pode ter recursos estratégicos, que realmente justifiquem uma empresa se instalar aqui, e ainda poder exportar de volta para seu país e outros lugares. Só que devemos analisar também os interesses do povo, a diferença salarial existente entre seus funcionários aqui no país, e os funcionários de seus concorrentes onde os produtos serão vendidos; cobrando um imposto que compense totalmente essa diferença. O que fazemos é o contrário, e assim como isentamos a especulação financeira e imobiliária, a

    EXPORTAÇÃO DE MULTINACIONAL É COMPLETAMENTE ISENTA DE IMPOSTOS NO BRASIL!

    E quem acaba pagando o imposto são os bananas! Tem automóvel produzido aqui, que o imposto é tão alto, que chega a custar mais que o dobro do que é vendido nos EUA, mesmo sendo produzido no Brasil e exportado pra lá. Ou seja, o imposto que não é cobrado deles, é cobrado da gente. Afinal, alguns trouxas precisam sustentar o Estado…

    AH, MAS SE DIMINUIR A EXPORTAÇÃO FALTA EMPREGOS!

    Depende! E é por isso que as coisas não podem acontecer da noite pro dia. Tem que ser um processo gradual, acompanhado com um aumento constante da renda e do consumo interno. Porque se o poder aquisitivo do nosso povo aumentar, nós mesmos teremos condições de consumir tudo o que hoje é exportado. E o que sobrar, se for exportado por multinacionais, deve sim pagar impostos, até por uma questão de ter vergonha na cara. Infelizmente, numa operação que nunca vimos antes, de desespero e apelação da mídia tão intensa; os conservadores se fortaleceram nas últimas eleições, e esse trabalho será ainda mais difícil.

    Como o aumento do salário mínimo, aposentadorias, e funcionalismo, são um poderoso meio de levação da renda, e não provocam inflação, desde que haja dinheiro em caixa para se pagar os aumentos, e recursos disponíveis para se emprestar com baixos juros para as empresas aumentarem a produção; o aumento de impostos é indispensável para garantir essa sobra de caixa ao governo, e devem ser feitos nesses setores que são isentos, e estão prejudicando nossa economia, a especulação financeira e imobiliária, e a exportação de multinacionais.

    ORA, MAS OS AMERICANOS NÃO TRIBUTAM EXPORTAÇÕES DE MULTINACIONAIS!

    É uma graça, não? Só quem não tem um mínimo de percepção matemática, pra achar que os EUA, que tem o maior mercado consumidor e o maior poder aquisitivo do mundo, precisariam tributar exportações. A Gerdau, por exemplo, é uma multinacional brasileira, que opera nos EUA. Alguém pode imaginar ela produzindo aço por lá, e exportando de volta pro Brasil com os altíssimos custos dos EUA? Mas garanto que no futuro, se isso ocorresse, eles tributariam, ou até mesmo seria proibido. Da mesma forma, jamais imaginamos que os EUA estatizariam bancos. Por isso o Sr. Fernando Henrique Cardoso, o FHC, um dos maiores traidores (ou otários) que o Brasil já conheceu, deixou a ENGESA, nossa fábrica de blindados, ir à falência; mas não a estatizou. Já pensaram que vexame seria à doutrina neoliberal? Isso seria inadmissível. O que seus herois americanos pensariam da gente? É… Mas quando importantes empresas americanas ameaçaram quebrar durante a crise, os EUA preferiram estatizá-las. Responda agora: Quem são os bananas da história mundial?

    Na época da ditadura, financiada pelo governo americano daquela época, que de forma proposital e irresponsável endividou o Brasil, isso era até “justificável”; porque precisávamos dos dólares, pra pagar a dívida externa. Como atualmente temos reservas internacionais, para pagar todos os compromissos contraídos em dólar, essa prática hoje chega a ser criminosa. Numa demonstração de que temos uma economia muito incompetente, extremamente corrupta, ou gente endividada até o pescoço com o dinheiro desses grupos internacionais exportadores. Pessoas que receberam grana pra campanha política, e se deram bem; em parte, porque nosso com melhor condição social é incapaz de estudar, debater a questão, participar, e contribuir para as melhores propostas políticas; seja dando dinheiro, ou prestando serviços de militância.

    NÃO ADIANTA PÔR A CULPA NO GOVERNO!

    Vale lembrar, que esses grupos econômicos financiam e influem na política brasileira, pagando campanha de deputados e senadores, que são quem realmente exercem o poder no país, e dão as cartas; quando chegam lá, votam apenas no que seus patrões mandam. A própria Presidenta fica à mercê da nomeação de gente indicada por eles, porque seu partido não tem nem 1/7 dos integrantes do Congresso, e ficaria impossível governar o Brasil sem esses acordos.

    O atual governo não é perfeito, mas tem servido de moderador, para atenuar essas distorções; e teve tanto êxito, que provocou o ódio das forças conservadoras. E se tiver sucesso em convocar uma Constituinte para a reforma do sistema político, poderá dar à sociedade uma maior participação nesse debate. O povo será uma força extra, contra os poderosos grupos exportadores, que querem nos manter como colônia.

    DE QUEM É A CULPA?

    Devemos agradecer esse buraco em que nos metemos, principalmente aos grupos de extrema direita, que ganham fortunas em propinas; e à propaganda maciça da mídia paga, que norteia suas ações e discursos. Revistas como a Veja e outros meios de comunicação, são traidores do país, submissos aos grupos estrangeiros. Eles manipulam gente ignorante, que não tem capacidade nem de debater o que defendem, para agir contra seus próprios interesses. Pois se essas mercadorias, que não precisam ser exportadas, ficassem no país, ou seu preço despencaria (automóveis, eletroeletrônicos, etc), ou a renda do brasileiro deveria ser elevada, para poder consumi-los. Porque ninguém ficaria com seu capital parado, quando pudesse produzir e vender. Multinacional não pode ter espaço na legislação, para nos transformar numa colônia. Elas devem se contentar em explorar um mercado saudável, onde a renda não seja artificialmente reduzida, através de verdadeiras falcatruas.

    AH, MAS SE NÃO EXPORTAR, NÃO ENTRA DÓLARES, COMO ´É QUE ELAS ENVIARIAM SEUS LUCROS AO EXTERIOR?

    Coitadinhas! Não é mesmo?

    Por que será que na Rússia não existe limite para remessa de lucro de multinacional? Elas podem enviar o que puderem pro exterior, desde que na moeda nacional, fortalecendo o rublo. Quando um país colônia permite remessa de lucros em dólar, ao fazer esse trambique de comprar dólares com reais; esse absurdo permite que os EUA emitam sua moeda sem gerar inflação, e os babacas daqui engulam uma inflação, mesmo sem emitir moeda. Não é exatamente o que está ocorrendo nesse momento? O atual governo ajudou a criar o banco dos BRICS com pesados investimentos, pra fugir da moeda americana; é um pequeno passo em direção à independência econômica. Afinal, nem tudo é má notícia!

    O mais incrível é que as multinacionais se instalaram na Rússia, e estão muito satisfeitas. Aliás, os russos também, e têm motivos para isso, pois o capital extra ajuda a desenvolver o país. No fundo, essas empresas se instalam com maior frequência entre os próprios países desenvolvidos, onde a mão de obra não é subvalorizada. O que nos leva a crer, que o maior problema não está nas multinacionais, mas sim em nós mesmos, em gente que manipula uma legião de “analfabetos” políticos, e quer que esse colonialismo continue, para EXIGIR suas propinas decorrente super lucros no exterior, onde destacam-se

    MÍDIA

    TECNOCRATAS ECONÔMICOS

    EMPRESAS NACIONAIS PARCEIRAS

    POLÍTICOS

    ETC…

    Ou seja,

    O IMPOSTO QUE NÃO É COBRADO DAS EXPORTAÇÕES DAS MULTINACIONAIS, OS POLÍTICOS CORRUPTOS LIGADOS A ELAS RECEBEM UMA PARTE DO VALOR EM FORMA DE PROPINA NO EXTERIOR!

    Quanto aos grupos que lutam pela volta da ditadura, pelo impeachment logo após uma eleição, contra o inexistente perigo comunista, e outras bandeiras da extrema direita conservadora; mas que não recebem milhões e milhões de dólares de propina no exterior; esses são a massa de manobra da extrema direita, os inocentes úteis, que servem de capacho, são espoliados de todas as formas, não recebem nem 20% do que um europeu ou americano receberia no mesmo serviço, e ainda lambem a mão de quem lhes chicoteia. Uns devem ter medo de perder a merreca que ganham pra viver, enquanto outros devem ter problemas mentais, e se sentir melhor ao juntar suas insignificâncias com as elites conservadoras colonialistas, enganando a si mesmos e fingindo fazer parte delas…

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